Elisabeth Figueiredo tinha 60 anos e foi morta em junho, no município de Pequizeiro. Desde janeiro, Tocantins registrou 31 casos de feminicído. Tocantins registra 31 casos de feminicídio só em 2021
O ano de 2021 não acabou, mas já registrou uma grande quantidade de feminicídios. Do início do ano até agora, 31 mulheres foram assassinadas de norte a sul do Tocantins.
A mãe do Luiz Paulo Benício foi uma dessas vítimas. A professora Elisabeth Figueiredo tinha 60 anos e foi encontrada morta no início de junho, no município de Pequizeiro. O marido é o principal suspeito.
“Ainda é muito doloroso, é muito recente. Eu falava com ela todos os dias, ou no começo da manhã, ou no final do dia. Até hoje, pego o telefone para ligar para ela. Que ele se mantenha preso até ocorra o processo, o julgamento, e que a Justiça seja feita”.
Elisabeth chegou em Pequizeiro na década de 70 e era bastante conhecida pelos moradores. A vítima era professora aposentada e, durante a sua trajetória profissional, foi diretora de um colégio estadual na cidade. Familiares disseram que ela era alegre, brincalhona e divertida.
Elisabeth Figueiredo foi assassinada em Pequizeiro
Divulgação
Após a morte, alunas da professora Elisabeth protestaram nas ruas da cidade pedindo justiça.
A lei prevê de 12 a 30 anos de prisão para quem comete feminicídio. Outro caso que me chamou a atenção ocorreu em janeiro desse ano. Ana Paula Andrade Lima foi assassinada a facadas. Segundo apontado no processo, o crime aconteceu porque o homem ficou com ciúmes de mensagens que encontrou no celular da companheira.
No dia 5 de outubro, o Tribunal do Júri condenou o ex- companheiro da vítima, Vinícius Santos Lacerda, a 19 anos de prisão. Ele estava preso preventivamente na Casa de Prisão Provisória de Gurupi e continuará cumprindo a pena em regime fechado.
“O que choca não só a acusação, como também a sociedade é que a cada sete horas no Brasil uma mulher é assassinada pelo seu companheiro, ou marido, ou ex-marido. Os motivos são dos mais variados, sempre a mesma coisa, a suposta traição, o sentimento de posse do homem com relação à mulher”, disse o promotor de Justiça, Rafael Pinto Alamy.
Ana Paula foi morta com golpes de faca
Divulgação/rede social
A delegada Daniela Caldas, que atua no norte do Tocantins, afirma que durante a pandemia, os casos de violência contra a mulher dispararam. “Em decorrência da pandemia, há um maior convívio familiar, o que desencadeia maiores atritos. Dentro do contexto cultural da violência pode desencadear a violência moral, psicológica, patrimonial, sexual e física contra a mulher”.
Para o promotor de Justiça de São Paulo, Luís Mileo, que luta nos tribunais superiores para que mulheres trans também sejam incluídas nas medidas protetivas pela Lei Maria da Penha, o Brasil precisa avançar nas políticas de combate à violência contra a mulher.
“A dificuldade é o feminicídio no seu combate porque ele permanece no obscuro, ele permanece em quatro paredes, ele permanece muito na residência, fora do circuito das politicas públicas necessárias de combate imediato. É muito diferente de um roubo ou roubos que aconteçam em determinada região. Não é uma ineficiência do Estado, mas uma dificuldade de enfrentamento para baixar esse índice”.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Fonte: G1 Tocantins


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